O retorno!

29 Maio

O blog andou abandonado por um bom tempo.  Acabei desanimando porque, na realidade, acho que criei o blog com a proposta errada. Queria sim discutir temas relacionados a vida de aupair, mas, mais do que isso, gostaria de um espaço para  compartilhar o zilhão de dúvidas que permeiam este meu ser. E quem sabe conseguir respostas para todos os porquês que me rodeiam. Esperava que as pessoas também estivessem passando pelas mesmas coisas e, com isso, eu pudesse me sentir normal. Uma pessoa como outra qualquer que tem dúvidas, anseios, medos. Enfim, estando prestes a mais uma grande mudança, achei que fosse hora de retomar o blog e, agora sim, não me prender ao tema inicial e usá-lo de maneira geral. Falar sobre tudo que passa por essa cabecinha mirabolante.

Eis, então, que fica oficializado o RE-nascimento do blog!

A minha temporada irlandesa está chegando ao final e fazendo uma retrospectiva (alla retrospectiva da Globo) pude me dar conta de quantas coisas vivi e vi nestes últimos dois anos e meio.

A Irlanda, também conhecida como o tigre celta, chegou a ser o país desenvolvido com o maior crescimento do PIB, mas em 2008 o país teve a primeira queda  depois de mais de uma década de crescimento contínuo. And guess what? É exatamente em 2008 que eu aterrisso em terras geladas. Antes de embarcar, li muito e vi que a brasileirada dizia que já não era tão fácil encontrar emprego e que as coisas estavam começando a ficar difíceis. Antes disso, era absolutamente normal ter 2 empregos e a busca por um não era nada difícil. Placas espalhadas por pubs e cafés. Mesmo apreensiva, fiz as malas e vim com a cara e a coragem. Pude constatar que as coisas realmente não estavam boas e conseguir um emprego era um mix de QI (quem indica – que na Irlanda funciona muitíssimo bem), sorte e força de vontade. Depois de muitos bicos – entregar jornal de madrugada debaixo de chuva, neve etc, faxinas – decidi que seria melhor ser aupair. Três meses após minha chegada, me mudava pra casa de uma família irlandesa com três crianças: 6, 8 e 10 anos. Me adaptei muito rápido e houve uma química ótima com as crianças, tanto que ainda estou com eles.

Nesse meio tempo vi a Irlanda ir de mal a pior. A crise que atingiu quase o mundo inteiro no ano passado, devastou o país. Quebrou bancos, reduziu o salário mínimo, aumentou significativamente  o índice de desemprego, fez com que novas regras de imigração fossem impostas para diminuir o número de imigrantes. Foi um dos países mais afetados pela crise.

E os fenômenos naturais. No ano passado ficamos ilhados alguns bons dias devido a erupção de um vulcão na Islândia. Centenas de vôos cancelados (incluindo o meu), milhares de euros perdidos e muitas pessoas presas em aeroportos. Não satisfeito, o bendito vulcão (ou outro, não sei ao certo), decidiu dar o ar da graça de novo. Não chegou a afetar a Irlanda ainda e, espero, que não afete.

O clima. Ah, isso é um assunto diário por aqui. Se o sol dá as caras, você certamente ouvirá de um irlandês “It’s such a lovely day, isn’t it?” e você será obrigado a sorrir e responder “Yeah…yeah”.  Quando no fundo a vontade é dizer que não…haha. O verão passado não foi tão ruim, mas esse, não sei; tenho um feeling que não vai ser bom. Estamos quase em junho e as temperaturas têm ficado sempre entre 12-15 graus, mas o problema não é a temperatura e sim o vento insuportável que tem feito e as intermináveis pancadas de chuva. O inverno? Ufff…esse foi forte esse ano. Nevou como não se tinha visto nos últimos 50 anos. Ai, que bom fazer parte da história da Irlanda, né? Vivenciar o inverno mais frio das últimas décadas, tudo que um brasileiro realmente precisa pra ser feliz.

E não é tudo. Fazendo parte da História. Dias atrás estiveram em terras geladas a rainha Elizabeth – pela primeira vez depois da emancipação do país do Reino Unido – e o presidente dos EUA, Barack Obama – o último presidente americano a pisar em solo irlandês tinha sido Bill Clinton há mais de 10 anos (se não me engano).

Ahh…também teve realização de sonho. Sabe o show da sua vida? Aquele artista que você acompanha desde a adolescência. Então, tive direito a realizá-lo. Shakira veio a Irlanda pela primeira vez ano passado e lá estava eu, feliz da vida.

Viagens. Viajei muito, mas poderia ter viajado mais com certeza. Conheci lugares lindíssimos e pessoas fenomenais.

Estes últimos anos foram, sem dúvida, de muito crescimento pessoal e aprendizagem. Tantas pessoas bacanas, que, infelizmente, não verei mais. Mas serão sempre parte dessa fase maravilhosa da minha vida.

Será impossível esquecer tudo o que vivi aqui, mas chegou a hora de viver outras experiências. Em poucos dias me mudo pra Itália. Diferente da Irlanda, onde tinha tudo planejadinho, a Itália será um golpe de sorte. Nada muito certo ainda, mas uma vontade  enorme de fazer com que as coisas dêem certo por lá.

 A Irlanda estará sempre no meu coração. Não é um adeus.

Chífidh mé – Até logo! (Acho que é assim que se escreve) 

Happy Valentine’s day!

14 Fev

Valentine’s Day é celebrado hoje em toda a Europa (se não estou enganada) e nos Estados Unidos. E eu não poderia deixar essa data passar em branco.

Um pouco de história:

Valentine é o nome de dois antigos mártires ligados a igreja católica. Um era de Roma e outro de Terni. Reza a lenda que os dois morreram na mesma data, 14 de fevereiro, data na qual hoje celebramos o dia dos namorados. Apesar de todas as pesquisas realizadas, ainda há dúvidas se os nossos santos não eram, de fato, uma única pessoa. Confuso, né?

Segundo o site http://www.history.com/topics/valentines-day-facts, mais de 141 milhões de cartões são trocados anualmente nesta ocasião. (That’s a looooot).

Espero que todos aproveitem o dia para dizer o quanto amam a pessoa com quem estão e, para os solteiros, pensem pelo lado positivo: vocês não precisam comprar presente!

Eis o meu Valentine

 

Encerro o post com uma citação que encontrei na internet: 

Being deeply loved by someone gives you strength, while loving someone deeply gives you courage. “

Lao Tzu

Ser aupair ou não ser, eis a questão

12 Fev

Dia 10 de fevereiro “comemorei” 2 anos na minha nova profissão: aupair. A família com quem eu moro é maravilhosa, mas vira e mexe eu tenho crises existenciais.No começo fazia todo o sentido ser aupair, morar com uma família irlandesa, aprender um pouco da cultura deles e, principalmente, falar inglês. Colocando os prós e contras na balança sempre acreditei ser a melhor opção. Não pago aluguel, gás, comida e ainda por cima tenho um quarto só pra mim -caso decidisse pagar um por aí não me sairia por menos de 400,00 euros – e um salário semanal, que não é uma fortuna, mas sempre me proporcionou viajar.

Enfim, tudo parecia bem até que as vantagens pareceram não ser mais vantagem e as desvantagens tomaram outra proporção. A questão de ser a empregada e estar sempre “servindo” alguém vem me incomodando, preciso confessar. Depois de ter estudado tanto, acabar assim? Não é justo, não é mesmo? Mas daí eu respiro fundo e penso que é uma fase. O problema é que a fase (entende-se por fase algo temporário, curto período de tempo e acredito que 2 anos não se encaixe perfeitamente nessa descrição) se estendeu muito. Ainda mais agora com um pé na Irlanda e 3 na Itália. Não vejo mais razão para continuar em terras geladas.

Preciso de novos objetivos e principalmente desafios. Odeio a monotonia e a rotina. Não vejo a hora de fazer as malas, enchê-la de sonhos e colocar o pé na estrada de novo, sem saber ao certo o que vai acontecer. Aprender uma nova língua, conhecer gente, fazer novos amigos. Tudo isso faz os meus olhinhos brilharem de excitement again. Um brilho que há tempos perdi e que é fundamental na nossa vida.

2011 será um ano de mudanças e desafios de novo, não vejo a hora! O maior desafio será conseguir o visto para Itália, que Papai-do-céu me ajude nessa questão porque o governo italiano parece não se importar nem um pouco com isso. 🙂

Não basta ser aupair, tem que participar!

21 Nov

A minha vida de mummy-pair anda a todo vapor. Sexta-feira passada eu fui convocada intimada a ir a feira de ciências do meu pequeno. Eu com aquela preguicinha e com um dia de faxina pela frente, mas vamos lá. Força na peruca!

Pra não me sentir muito deslocada no meio de todas as mães, eu convidei a Mirela para me acompanhar. Tudo corria muito bem. Encontrei meu pimpolho, soltei frases mágicas como “well done”, “good job” e pronto. Algumas fotos para mostrar pros pais dele e poderia considerar como missão cumprida, mas, de repente, um dos experimentos explodiu e esparramou um líquido fedorento – um mix de vinagre com óleo – em toda a minha jaqueta e na da Mirela também. Era tudo o que eu precisava pra fechar a visita com chave-de-ouro. Voltei correndo pra casa pra lavar minha jaqueta, que era creme. Graças ao meu bom Deus e ao vanish super ultra mega power remover, ficou tudo sob controle.

Depois, à tardinha, levei a minha pequena pra tomar chocolate quente num café aqui perto de casa. Ela ficou feliz da vida. A única coisa foi que a danadinha queria roubar todos os meus marshmallows. Nem vem que não tem, meu bem. Doce comigo é coisa séria, praticamente sagrada. Não dou e não divido (talvez venda…hehe).

Depois da sexta movimentada, fui passar o final de semana na Itália e, quando voltei, eles me receberam com um sorrisão no rosto. Vanish para lavar a jaqueta: € 6,00, chocolate quente: € 3,00, receber o carinho dos meus filhotes? Não tem preço!

2 anos de Irlanda

9 Nov

Há dois anos saí de casa com algumas roupas na mala e dezenas de sonhos na cabeça. Aos 27 anos decidi morar sozinha, tomar as minhas próprias decisões e, principalmente, conhecer o mundo. Conhecê-lo no sentido mais amplo da palavra. Conhecer a essência de cada povo, o que nos faz diferentes uns dos outros. Conhecer novas línguas, culturas, pessoas.

Eram tantos anseios, tantos sonhos…

Alemanha, Inglaterra, Escócia, Holanda, Espanha, Portugal, Turquia, Irlanda do Norte, França, Itália. Já estive em todos esses lugares. Cada país uma paisagem, uma língua, um povo.

A melhor parte de tudo isso? As pessoas que conhecemos ao longo do caminho. A parte ruim triste? Muitas delas já não estão mais por aqui. Fizeram parte de um capítulo da minha vida e agora estão escrevendo o livro da vida em uma nova locação, com novos personagens. E é assim, como um seriado, novas temporadas, novos artistas convidados. Mas como todo bom seriado, no capítulo final todos estarão reunidos para celebrar todos os anos de sucesso.

E hoje, mais do que nunca, estou com saudade da minha família; do colo da minha mãe, das incansáveis brincadeiras com meu irmão e até das broncas do meu pai. Estou contando os dias para revê-los. Deixá-los para trás foi a coisa mais difícil que já tive que fazer em toda a minha vida, mas todo sacrifício tem sua recompensa. Tenho certeza de que sou uma pessoa melhor do que era dois anos atrás e passei a valorizar muito mais a família que tenho.

Antes que as lágrimas me impeçam, finalizo esse post…

 

Lerê lerê…

5 Nov

Muitas pessoas associam a sexta-feira à gandaia. Eu associo à faxina. Toda sexta é a mesma ladainha. Limpa daqui, esfrega de lá. Organiza, arruma, ajeita. Agrrrrrrrrrrrrr!!! É um trabalho sem fim. Ainda mais quando se tem três crianças e mais dois adultos bagunceiros na casa.

O pior não é isso, o pior é deixar a casa brilhando na sexta de tarde e ver todo o seu esforço destruído no mesmo dia à noite. Na segunda então tenho vontade de chorar. Meudeusdocéu! Se pudesse fazer um pedido para o Papai Noel, seria uma varinha mágica capaz de fazer limpeza instantânea. Imagina só, ao invés de passar o dia inteiro faxinando, você poderia ir à manicure, ao cabeleireiro, comprar uma ropitcha nova e ficar bem lindona pro maridão ou namorido. Ai ai ai…sigo aqui sonhando e escrevendo para Santa Claus.

Ah…os domingos…

24 Out

Contrariando todas as estatísticas, eu não odeio segundas. Eu odeio domingos! Sério, gente, não tem dia mais chato na semana. Ok, você pode estar pensando “mas a volta ao trabalho depois do mini-break de dois dias é o que faz a segunda-feira uma bosta. Não, não, não.

Domingo devia ser eleito o dia oficial da preguiça. (Nossa, essa palavra tá se tornando muito freqüente por aqui). São poucas as pessoas que acordam cedo num domingo. A gente dorme até cansar. Daí toma café da manhã de tarde lá pelo meio-dia. Pronto, meio dia já se passou. Depois um pouco de internet, uma arrumada no quarto not really e já são duas, três da tarde. Hora de almoçar!

Cozinha daqui, dali. Come um chocolate, eis que são quatro da tarde. O dia está quase acabando e o que você fez até agora? Nada!

Ás vezes tento não me render facilmente e programo algo pra noite. Um cineminha depois das seis ou mesmo um barzinho pra ouvir música ao vivo e jogar conversa fora com os amigos. Mas, pra ser honesta, preciso confessar que 90% das vezes fico mesmo é em casa, de pijama o dia inteiro.

Aqui não tem Fantástico, mas tem X-Factor. Sim, a musiquinha do Fantástico quer dizer que o seu dia acabou, já aqui é o meu aclamado, salve-salve X-Factor que anuncia o final de semana pra mim.

Bom, agora é ficar aqui “lumaconando” – este é um verbo que inventei em italiano que seria “preguiçando” em português – e esperar o fim do domingo.

“Oh loco, meu!” Como já diria nosso amigo Fausto Silva.