A buRRocracia italiana

19 Set

Quem reclama da buRRocracia brasileira é porque não conhece a italiana. Além da lentidão nos órgãos públicos, outra coisa que dificulta, e muito, é a falta de informação.

Quando estava na Irlanda fui ao consulado italiano pelo menos três vezes, buscando uma forma de viver na Itália legalmente. Lembro que em uma das vezes fui me informar sobre o visto de estudo e aproveitei e contei a um simpático senhorzinho que namorava um italiano e, por isso, gostaria de me mudar pra lá, eis que ele sugere a solução mais fácil nesses casos “Se casa, minha filha”. Se eu estava ali pedindo informações sobre visto de estudo, acho que era porque não estava cogitando essa opção ainda. “Hello?”

Estudar na Itália custa caro. Muito caro! E não é nem pela taxa paga à universidade, que é baixa se comparada com o que pagamos no Brasil. O grande problema nesse caso é traduzir todos os documentos para o italiano. No meu caso, procurei um curso que seria mais ou menos como uma pós para nós. Para isso, eu teria de apresentar Diploma, Histórico Escolar e Conteúdo Programático do curso de Letras. O orçamento inicial para a tradução do Conteúdo Programático (105 páginas) foi de R$ 12.000,00. Eu entrei em estado de choque quando vi o valor e pensei que a pessoa tinha se engando, de repente era R$ 1.200,00. Não, estava correto! Depois de muito chorar, o valor da tradução juramentada ficou em R$ 9.000,00 e da simples R$ 6.000,00. Ou seja, missão estudo abortada! Isso sem acrescentar todos os outros gastos que teria.

Outra opção seria o visto de trabalho, mas, nós brasileiros, temos que contar com o “Decreto Flussi”. É um sistema de quotas anual (bem, não é bem assim, o último levou dois anos para ser aprovado) no qual o governo libera um certo número de vagas para diversas nacionalidades. Por exemplo, se o governo decidiu que em 2012 abrirá 35.000 vagas, 1.500 serão para africanos, 1.000 para angolanos, 2.000 para brasileiros etc. Esse sistema funciona um pouco como loteria, pois existem sempre muito mais candidatos do que vagas. Então, – pelo que eu entendi – serão contemplados os que forem mais rápidos. O governo estabelece uma data para a inscrição on-line, os primeiros inscritos (caso preencham os requisitos) conseguirão o visto. Outra coisa que complica nesse processo é que no ato da inscrição você já tem que ter um emprego. Você terá que preencher os dados do seu empregador e ele terá que pagar uma taxa. E a pergunta que não quer calar, meu caro leitor, é: quem fará isso por você? Quem vai contratar uma pessoa sem conhecê-la? Pior, quem vai pagar uma taxa sem saber se o futuro empregado (colaborador) será “sorteado”?

É triste, mas é assim que funciona. As leis da Itália são confusas e, na minha opinião, injustas. O governo dificulta muito a entrada de estrangeiros no país e, com isso, só colabora com o aumento da ilegalidade. A Irlanda deveria ser seguida como exemplo. Leis claras e oportunidade a todos de permanecer no país legalmente.

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Uma resposta to “A buRRocracia italiana”

  1. Simone Setembro 19, 2011 às 6:53 pm #

    Olha que ter essa bureocracia toda não é privilégio da Italia não. Tem dias que eu me pego pensando como a Holanda funciona. Sim, porque nenhum orgão do gorverno sabe de nada, informações desencontradas, tudo custa os olhos da cara em carimbos, taxas, exames, tudo para completamente no verão, enfim…

    beijao

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